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By Ricardo Reis
Translated By Margaret Jull Costa & Patricio Ferrari
19.6.1914
Sabio é o que se contenta com o espectaculo do mundo,
E ao beber nem recorda
Que já bebeu na vida,
Para quem tudo é novo
E immarcessivel sempre.
Corôem-no pampanos, ou heras, ou rosas voluteis,
Elle sabe que a vida
Passa por ele e tanto
Corta á flôr como a elle
De Atropos a thesoura.
Mas elle sabe fazer que a côr do vinho esconda isto,
Que o seu sabôr orgiaco
Apague o gosto ás horas,
Como a uma voz chorando
O passar das bacchantes.
E elle espera, contente quasi e bebedor tranquilo,
E apenas desejando
Num desejo mal tido
Que a abominavel onda
O não molhe tão cedo.
Source: Poetry (January/February 2026)


